quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Pensamento para pautar as metas para 2011: "Estudar ou não estudar, eis a questão"

Hoje recebi um e-mail do meu irmão com o seguinte assunto: "Estudar ou não estudar, eis a questão". Durante a leitura, confesso que pensei em várias situações de minha vida e também lembrei de pessoas conhecidas. Na verdade, o texto tocou fundo, foi além do tema "estudar". Comodismo, "desculpismos", propósitos, correr atrás das oportunidades, ter iniciativa...parece até que foi um lembrete bastante propício para essa época em que começamos o ano cheios de planos, expectativas e metas. Sem ação, planos são só planos. No final, resta a frustração e a sensação, mais do que fundamentada, de que nada mudou, de que você não evoluiu.
Bom, segue abaixo o texto. Espero que gostem.


Estudar ou não estudar: eis a questão
 

Quantas pessoas você conhece que gostam efetivamente de estudar? Quantas que estudam oito ou dez horas diárias só por diversão, sem ter em mente nenhum propósito específico? O ser humano é, por natureza, inclinado ao comodismo, ao ócio. Nisto, somos todos iguais. Aqui, o que nos distingue uns dos outros é a maior ou menor determinação para vencer as nossas próprias tendências e limitações.

Leon Tolstoi, romancista russo, afirma em seu livro Guerra e Paz: “Se o homem pudesse encontrar-se em uma situação tal que, embora se mantivesse ocioso, sentisse ser útil e estar cumprindo com o seu dever, reencontraria uma das condições da felicidade primitiva”. Um retrato clássico e adorável desse estado original, onde reina absoluto o quarto pecado capital, é o nosso anti-herói Macunaíma, personagem de Mário de Andrade, cujas primeiras palavras na infância foram: “Ai! Que preguiça!”. Macunaíma fez desse bordão seu lema de vida. E, ainda nos dias de hoje, tem muita gente se inspirando nele...

Já vi algumas pessoas, de variadas idades, se queixando de que gostariam de ter mais oportunidades na vida, que não nasceram com sorte e etc., mas ao mesmo tempo dizendo que detestam estudar, que têm verdadeira aversão aos livros. Por alguma razão, entregam-se a um conformismo e a um comodismo que as impede de dar o primeiro passo rumo à mudança, que as proíbe de confrontar suas inclinações naturais. E, infelizmente, assim como Macunaíma, elas acabam por se tornar anti-heróis de suas próprias histórias.

Pessoas assim estão sempre esperando um “não sei quê”, que vem “não sei de onde”, “não sei como”, daqui a “não sei quanto tempo”. Até parece aquela música do Chico Buarque: “Pedro pedreiro fica assim pensando / Assim pensando o tempo passa / E a gente vai ficando pra trás / Esperando, esperando, esperando / Esperando o sol / Esperando o trem / Esperando o aumento / Desde o ano passado / Para o mês que vem...”

Li recentemente um interessante relato acerca de um garoto que ia todos os dias brincar na casa do colega. Depois de um tempo, a sua mãe pergunta:

“Como está o seu amiguinho?”

“Qual amigo?”

“Aquele com quem você brinca todos os dias”.

“Ah, não. Ele não é meu amigo”.

“Ora, você brinca com ele todo dia! Como pode dizer que ele não é seu amigo?”

“Ele não é meu amigo. Eu só gosto dos brinquedos dele.”

“Então, deixe-me entender: você vai à casa dele todo dia para brincar com ele e os seus brinquedos, mas não gosta dele?”

“É... Mas, sabe de uma coisa: quanto mais tempo gasto com os brinquedos dele, mais tenho chances de vir a me dar bem com ele.”

O segredo aqui está em não ficar esperando as coisas acontecerem. Iniciativa faz toda a diferença. Mesmo aqueles que alegam ter pavor e até alergia ao estudo, podem começar a se dar bem com ele. Como na história acima, basta tomar a atitude, sair da “zona de conforto” e começar a “brincar” com os livros, expor-se a eles continuamente e de forma compromissada.

“Nós não sorrimos porque somos felizes. Nós somos felizes porque sorrimos”. Era assim que William James, psicólogo americano, resumia sua teoria da emoção. Para ele, uma das grandes descobertas do século XX foi a percepção de que não era necessário sentir primeiro para que se começasse a agir. Pelo contrário, antecipando a atitude, empreendendo a ação, o sentimento apareceria como uma consequência natural. 

Por isso, nem Pedro Pedreiro nem Macunaíma. Como filosofia de vida, eu ainda prefiro a do compositor Geraldo Vandré, que dizia: “Vem, vamos embora, que esperar não é saber...”

Marchezan

2 comentários:

  1. Interessante a reflexão, mas acho que tudo tem que ser medido. Sou das que não esperam acontecer, mas querer tudo ao mesmo tempo também não funciona, né?!

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  2. Também concordo, Flévis. Acho importante manter o foco e ser coerente né, eleger as prioridades e aquilo que realmente conseguiremos fazer naquele momento.

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