domingo, 30 de janeiro de 2011

O BBB e a pós-modernidade - Parte 1: A Criação e a disseminação de estereótipos

Para o trabalho final de uma das disciplinas da pós-graduação, Paradigmas da Comunicação, tivemos que fazer uma análise de algum programa televisivo de acordo com os conceitos da pós-modernidade. Não consegui pensar em outro programa que não fosse o Big Brother Brasil (BBB), pois nele consegui identificar facilmente conceitos como estereotipização, estetização da vida, relativização de valores, escapismo, dentre outros. Sugeri o tema para minha dupla, Maisa Alves, que topou na hora. Então o que era um trabalho chato, de no mínimo sete páginas - que a princípio parecia muito - , ficou muito mais gostoso de ser feito e o resultado foi uma interessante (nada modesta) análise, de mais de 10 páginas, desse sucesso de audiência que é o BBB. Não vou colocar o trabalho todo aqui, mas os tópicos que eu escolher vou postar separados por posts para não ficar muito grande.

Bom, acho que o BBB dispensa apresentações. Mas uma curiosidade é que o nome do programa deve-se ao livro 1984, escrito em 1948 por George Orwell, no qual o Big Brother (ou Grande Irmão, como foi traduzido nas versões lusófonas do livro) é o líder que tudo vê da distópica Oceania, líder este que governa o mundo ocidental em um futuro fictício. Representado pela figura de um homem que provavelmente na trama não exista, vigia toda a população através das chamadas teletelas, governando de forma despótica e manipulando a forma de pensar dos habitantes. Quem infringisse alguma lei ou regra era torturado e eliminado.



A CRIAÇÃO E DISSEMINAÇÃO DE ESTEREÓTIPOS

De acordo com Maura Oliveira Martins, os clichês e estereótipos são utilizados para construir mundos e personagens verossímeis, ao mesmo tempo em que podem ser operados de forma a expor normas culturais implicitamente conhecidas pelo leitor – no nosso caso, pelo telespectador. Ela explica que os estereótipos e clichês são idéias consolidadas, pré-­existentes em uma sociedade e, portanto, não necessariamente fiéis à verdade, mas vitais na relação entre os espectadores e os produtos culturais.

Segundo Lippmann, quando nos aproximamos da realidade, “não vemos primeiro para depois definir, mas primeiro definimos e depois vemos”. Os estereótipos são, então, “os tipos aceitos, os padrões coerentes, as versões padronizadas”. Eles interferem na forma como percebemos a realidade, fazendo com que vejamos as coisas de uma maneira pré-construída pela cultura e transmitida pela linguagem.

Para Martins, ligados à produção massiva e à grande quantidade de espectadores, os clichês são empregados na produção midiática para delimitar formas de reconhecimento de suas mensagens. Na experiência dos reality shows, os clichês costumam ser explorados temática ou ostensivamente, tanto no texto visual quanto verbal.

Andacht (apud Martins) analisa o recorte estereotipado dos personagens na experiência do Big Brother Brasil, no que chamou de “efeito Arcimboldo”, ou seja, a caracterização do perfil do participante do programa através de uma seleção ou montagem grotesca de seus gestos, de forma a associar a personagem a tipos comuns e reconhecíveis pelo público: sua estereotipação, cuja intenção é antes generalizar do que particularizar.

No Big Brother reconhecemos facilmente os estereótipos que são criados, forçada ou espontaneamente. As edições e os participantes mudam, mas os personagens, de uma certa forma, continuam os mesmos: as mulheres gostosonas, os caras sarados, os excluídos – seja por raça, condição social ou opção sexual –, os engraçados, entre outros tipos já conhecidos.

As tribos do BBB 10
Mas isso ficou ainda mais evidente na edição passada (2010) do BBB. Os participantes foram divididos em “tribos”: os sarados, os coloridos, os ligados, os cabeças e os belos.  Esses estereótipos já foram apresentados antecipadamente para o público e foram se confirmando ou não durante o programa, de acordo com as ações dos participantes. Com isso, cria-se, através do programa, a imagem de que os sarados não têm conteúdo, de que os coloridos (os homossexuais) são discriminados e extravagantes, os cabeças são os estrategistas, e por aí vai.

Dessa forma, mocinhos e vilões vão sendo criados e recriados, heróis e anti-heróis. Ao sair da casa, esses estereótipos se confirmam: as saradas posam nuas, os engraçados são convidados para programas de comédia e alguns belos conseguem espaços em novelas e programas de auditório.

1 comentários:

  1. Bacana demais pensar os temas a partir do BBB! E essa parte do estereótipos não tinha melhor programa para analisar :)

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