Bom, acho que o BBB dispensa apresentações. Mas uma curiosidade é que o nome do programa deve-se ao livro 1984, escrito em 1948 por George Orwell, no qual o Big Brother (ou Grande Irmão, como foi traduzido nas versões lusófonas do livro) é o líder que tudo vê da distópica Oceania, líder este que governa o mundo ocidental em um futuro fictício. Representado pela figura de um homem que provavelmente na trama não exista, vigia toda a população através das chamadas teletelas, governando de forma despótica e manipulando a forma de pensar dos habitantes. Quem infringisse alguma lei ou regra era torturado e eliminado.
A CRIAÇÃO E DISSEMINAÇÃO DE ESTEREÓTIPOS
De acordo com Maura Oliveira Martins, os clichês e estereótipos são utilizados para construir mundos e personagens verossímeis, ao mesmo tempo em que podem ser operados de forma a expor normas culturais implicitamente conhecidas pelo leitor – no nosso caso, pelo telespectador. Ela explica que os estereótipos e clichês são idéias consolidadas, pré-existentes em uma sociedade e, portanto, não necessariamente fiéis à verdade, mas vitais na relação entre os espectadores e os produtos culturais.
Segundo Lippmann, quando nos aproximamos da realidade, “não vemos primeiro para depois definir, mas primeiro definimos e depois vemos”. Os estereótipos são, então, “os tipos aceitos, os padrões coerentes, as versões padronizadas”. Eles interferem na forma como percebemos a realidade, fazendo com que vejamos as coisas de uma maneira pré-construída pela cultura e transmitida pela linguagem.
Para Martins, ligados à produção massiva e à grande quantidade de espectadores, os clichês são empregados na produção midiática para delimitar formas de reconhecimento de suas mensagens. Na experiência dos reality shows, os clichês costumam ser explorados temática ou ostensivamente, tanto no texto visual quanto verbal.
Andacht (apud Martins) analisa o recorte estereotipado dos personagens na experiência do Big Brother Brasil, no que chamou de “efeito Arcimboldo”, ou seja, a caracterização do perfil do participante do programa através de uma seleção ou montagem grotesca de seus gestos, de forma a associar a personagem a tipos comuns e reconhecíveis pelo público: sua estereotipação, cuja intenção é antes generalizar do que particularizar.
No Big Brother reconhecemos facilmente os estereótipos que são criados, forçada ou espontaneamente. As edições e os participantes mudam, mas os personagens, de uma certa forma, continuam os mesmos: as mulheres gostosonas, os caras sarados, os excluídos – seja por raça, condição social ou opção sexual –, os engraçados, entre outros tipos já conhecidos.
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| As tribos do BBB 10 |
Dessa forma, mocinhos e vilões vão sendo criados e recriados, heróis e anti-heróis. Ao sair da casa, esses estereótipos se confirmam: as saradas posam nuas, os engraçados são convidados para programas de comédia e alguns belos conseguem espaços em novelas e programas de auditório.


Bacana demais pensar os temas a partir do BBB! E essa parte do estereótipos não tinha melhor programa para analisar :)
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